Foram necessários muitos comprimidos para te esquecer.
Todos os dias, eram engolidos com água.
Pensava em ti de manhã.
Abria um livro e era impossível não chorar.
Pensava em ti à noite.
Passados três anos, nem a data de aniversário
recordava mais. 
A vida continuou da mesma forma.
A peste, a guerra, a tristeza, o trabalho.
Começaste a mostrar-te na internet, querida.
Estás tão linda nessas fotos que te tirei.
Encho o copo de água e deixo o comprimido
na mesinha de cabeceira.

Gosto destes dias mais frios, da chuva que vai caindo e silencia a cidade. Estamos em Junho, os jacarandás floriram, são encantadores. Chove e caem flores prematuramente. Tenho sentido dores de cabeça muito fortes, já não aguento a campainha da escola, tremo inteira. Os alunos saem a cantar poemas das aulas. O Guilherme escreveu um e pediu para ler "lá à frente", todos aplaudiram. Agora andam a tentar imitar o Mário Viegas. Os alunos e os poemas. Estudámos todos os poetas do manual e depois outros, só para lermos. O António Franco Alexandre e Ruy Belo fizeram algum sucesso, quem o disse foi o Martim. Também o António José Forte, lembrou a Isabel, o do banquete.



POEMA
Para o banquete com talheres de prata
chegam os poetas com as musas ao colo
elas todas nuas
eles de gravata
servem-se as lagostas
ao som do piano
e depois a carne
carne de licorne desce de aeroplano
tudo com muitos vinhos
de vários sabores
por copos infindos
como são os amores
e após o banquete
entre aves canoras
os poetas e as musas
saem para o espaço
em camas voadoras
António José Forte, Uma Faca nos Dentes, Antígona.
Pessoas constantemente a usar expressões inglesas... Provincianismo? Mal sabem falar e escrever a nossa muy nobre língua e depois mandam inglesadas.

*

A porteira disse que nem se nota que a pequena tem as pernas engessadas. Sim, noto eu e o pai, talvez também o espírito santo.

*

A minha médica de família disse: "Ah, que lindo gesso ela tem, com bonequinhos!" A minha médica de família é um pouco pateta, mas é simpática, tem 35 anos, usa óculos e é baixinha. Fuma dentro do consultório e detesto aquele cheiro, um dia digo-lhe para fumar barbas de milho, que se dane. Levo lá a minha filha e ela tem de respirar aquele ar?

*

Passámos dois dias no hospital. O cirurgião disse que correu tudo muito bem. Dormi umas três horas durante a noite, a Francisca estava constantemente a gemer, peguei nela e adormeceu durante cinco horas. O enfermeiro disse que era melhor habituá-la a dormir só, mesmo tendo as pernas engessadas, pois... Ia ficar a noite toda a chorar, a pobre criatura.

*

Tenho mais testes para corrigir, estou sa tu ra da. Liguei à C. e ela disse que nada melhor do que um desgosto amoroso para perder peso. Diz que fica mais barato que o ginásio. Talvez esteja certa.
Esta nossa irmã que nos deixou,
Não partiu para o céu.
Se olhardes, não está suspensa lá em cima.
As campas do cemitério levantaram,
O Inverno foi rigoroso.
Um buraco serve para atravessar o sonho.
Põe-se o sol no horizonte.

Reinventar o ritual da morte.
A nossa alma não fica presa ao céu.
Caminha eternamente para dentro da Terra,
Onde cantam anjos e crescem laranjeiras.
Esta nossa irmã ouve nossos passos
E não lamenta os dias de chuva.


A cidade nunca pára. Eu dentro dela aos trambolhões.
Sonho que puxo o semeador pelo campo, o meu pai diz-me adeus.
A minha filha, em vez das pernas, tem asas ruivas luzidias, voa sorridente pela aldeia.
A C., ao telefone, chora. Nunca mais chega o homem que deseja. Abraço-a e ponho-me a recolher as lágrimas. Uma onda salgada irrompe por mim acima. Projecta-me contra a parede.

Com fúria, comecei a arrancar os cabelos, eram tantos e tão grossos, que as mãos sangravam. Vejam, lâminas que me crescem na cabeça! Escrevi tudo dentro do meu sonho e saí de lá com vontade de me saciar. Acordei-o, eram cinco horas da manhã. Cheirei-o e lambi-o como animal faminto. Nada me negou. Deixei-o e fui ler um pouco mais. Não me apercebi quando saiu de casa.
timwalker
A mulher fingida é seca. Passa num instante. A mulher verdadeira tem muita água.
A mulher fingida planta cactos todos os invernos e no Verão fere-se de propósito. A mulher verdadeira chora nas suas rosas.
Os gatos nunca sabem quem é a mulher que finge. A outra mulher corta as unhas ao sol e receia.
O homem deita-se em cima da mulher fingida e ela geme muito. A mulher verdadeira cansa o homem com os seus lábios. A outra mulher não sentiu a ponta do sexo. O homem deseja a mulher fingida, mas ama a mulher verdadeira.
Um dia, a outra mulher sonhou estar em Delfos, deitou-se na erva. As folhas sussurravam e a água nascia. A mulher cantava muito longe o amor.
Três homens ouviram. Três vezes.
A poesia diz o que não pode dizer-se. Todos podem caminhar ao luar, mas a lua é a cabeça do poeta, e nenhuma palavra pode dizer como é forte a sua luz. Ele caminha como ser iluminado, escreve na escuridão do seu pequeno quarto. Talvez seja um mistério, um conhecimento incapaz de ser revelado.
Regressámos às salas de espera do hospital. A minha pequena filha será operada, andará três ou quatro meses com as pernas engessadas. À nascença, foi-lhe diagnosticada displasia congénita da anca, durante três meses, usou um aparelho. Aparentemente, ficou tudo normal. Passados alguns meses, o fémur continua deslocado. Ouvimos três ortopedistas, um quiropata... Corremos contra o tempo. A minha vida transformou-se desde a chegada da minha pequena filha. À medida que ela cresce, uma felicidade tem-me tomado completamente. Uma filha imperfeita, que não se compara a ninguém. A angústia tem-se apoderado de mim, não sei como será a adaptação à sua nova condição. Andei a fazer pesquisas, para que seja mais fácil a logística de casa, o seu transporte, etc. Cheguei a este site, que é elucidativo para quem lida com esta doença: https://hipdysplasia.org/developmental-dysplasia-of-the-hip/
Os sonhos nunca somam imperfeições, é a vida que nos coloca perante deformidades intrínsecas à nossa própria natureza. "A perfeição é uma dada forma de imperfeição".
ABRIL

Dir-te-ei quem sou pendurada nas árvores.
As minhas mãos começam a nascer.
Colho amoras numa aldeia
sem caminho.
 
Dir-te-ei que te escrevo no caminho.
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Poisou uma mão na teta
que não pode escrever.
Uma teta nunca devora a mão.
Uma teta nunca devora a outra.

Goethe, O eterno Amador

Interessante o que li hoje pela manhã. "Todas as existências limitadas estão no infinito, mas não são partes do infinito: participam, isso sim, da infinitude." Para Goethe, a observação da natureza é infinita. Acreditava que o visível remete para o invisível. O que são as nuvens? Seres vivos ou animados? Lembrei-me do Papini. "— As nuvens — respondeu-me — são para mim as mais fantásticas e estupendas surpresas da natureza. Instáveis como uma mulher, errabundas como os anjos, mudáveis como um sonho, leves como uma fascinação, divinas como uma obra-prima.
Que são as nossas existências senão pequenas nuvens efémeras e vagabundas que, no fim, se desfazem em pranto ou se dissolvem na luz?"


Para Goethe, as nuvens "[...] como tudo na natureza, formas em permanente transformação, elementos de uma coreografia cósmica em que o olho e a alma são espectadores interessados e participantes." Reconhece Goethe que "a natureza se abre a certos espíritos, comunga intima e ininterruptamente com certas almas."

Para mim, tornou-se fácil ignorar as pessoas inoportunas, deixo-as falar. Geralmente, falam muito, sendo parcas as suas ideias. Não tenho muitas amigas, as únicas que tinha, continuam a viver na Vila. Por vezes, sinto-me um pouco alheada do universo feminino. Desde que fui mãe, tenho ouvido coisas absurdas. Não amamentei a minha filha, ela habituou-se bem ao biberão e cresceu de forma saudável. O facto de não poder amamentar, nunca me entristeceu, mas houve pessoas muito interessadas nos nutrientes, nas defesas, nos benefícios do leite materno. Eu também sei isso tudo, li bastante, mesmo assim, nunca sequer me interessei pela alimentação dos bebés de quem quer que seja. É impossível fugir a certas perguntas, mas o melhor mesmo é dar resposta rápida e dizer que temos pressa. Tchau, sim, havemos de combinar alguma coisa, fazer uma festa só com bebés. Por favor! Aproveito o tempo que tenho para ler um pouco, ouvir música, para descansar, sim, ando exausta, minhas queridas. Não me levem a mal, não sou antipática, sou um pouco tímida, até melhorei substancialmente. Sou taciturna e estou-me nas tintas para festas comemorativas dos meses dos bebés. Será que a minha filha me vai achar um camafeu? Pus-me a pensar. Não sei, estou-me a borrifar, adoro-a, mas não sei se vou ter paciência para muitos salamaleques e ajuntamentos. O que gosto mesmo de fazer é ouvir o Zeca a cantar "desde então a lavrar no meu peito a alegria", para que nunca me tome o esquecimento.

Quando cá cheguei, existia uma árvore enorme perto do barracão. Um ailanto frondoso que oscilava durante as tardes de Setembro. Cortaram-no e ouvi o estrondo. Fiquei imóvel na varanda, passaram carrinhas de caixa aberta, homens depositavam lá os galhos que iam sendo traçados pela motosserra. Em vez da árvore, vejo o prédio amarelo, luzes nas divisões, acendem e apagam ao fim do dia. Onde poisarão, agora, os pássaros?
Peguei no relatório do exame e li. A sala estava cheia, aguardava, ainda, o CD. Irregularidade da linha de Shenton, assimetria, anca subluxada. Foram as palavras que fixei. Saí, tive vontade de chorar,  esqueci-me de trazer o CD. Odeio o ortopedista, nunca mais lá volto, nunca lhe disse nada, apenas pedi para se certificar se não era mesmo necessário continuar a usar o suspensório de pavlik, ele, de poucas falas, afirmou que não. Marquei consulta com outro médico, nunca mais quero ver aquele ser. A minha filha adormeceu nos meus braços, então, em casa, pude chorar em paz.
Fizemos o exame à anca, duas incidências. Francisca, como sempre, portou-se bem. O médico atirou algumas perguntas. A displasia, de acordo com a última ecografia, já não existia, mas só o raio X comprovará a evolução. Ao descer a Infante Santo, fiquei atordoada com o barulho do trânsito. É como se a minha cabeça ansiasse por um rio. Debaixo de água, não se pode ouvir a voz da cidade. 
Hoje está um dia solarengo e Azra fará a apresentação do trabalho na aula. Ontem disse que vai esperar-me nas escadas da rua para chegarmos juntas à escola. Perguntei-lhe como é o Bangladesh, ela sorriu e começou a falar dos amigos e da casa que os pais têm lá. Trazia um véu roxo e aquela cor evidenciava o tom de pele cor de mel. Penso no rio, falta pouco tempo paras as férias grandes. Regressarei e levarei a minha pequena filha.




Não escolhi o nome de minha filha. É tão difícil dar nome a tudo... Pedi ao K. que escolhesse, eu apenas queria que tivesse Maria, com um M de mar.
O que traz o seu nome não sei, julgo que os nomes nada determinam. Ainda bem que me deram nome, já que continuo sem saber como chamar-me.
A minha filha é como um sonho, o nome não alcança o seu significado.

*

A C. finalmente falou com o rapaz. Agora anda aos saltinhos "ai, é tão giro", "mas será que vai querer alguma coisa comigo?". Quando ele não responde no espaço de uma hora, começa logo a dramatizar, que agora é o fim, que a vida dela nunca sairá do marasmo, que está quase com 27 e não tem ninguém. Perguntei-lhe se ele era interessante, mas dali só saiu "ai, é mais giro do que nas fotos". Pronto. Pelo menos, enquanto está entretida com este, não pensa no outro, e o outro nunca existiu. Dou gargalhadas quando falo com ela, parece uma tonta que se apaixona num ápice. O Amor talvez seja mais rápido hoje do que antigamente.


MANIFESTO

Senhoras e senhores
Esta é a nossa última palavra.
— A nossa primeira e última palavra —
Os poetas desceram do Olimpo.

Para os nossos antepassados
A poesia foi um objecto de luxo
Mas para nós
É um artigo de primeira necessidade:
Não podemos viver sem poesia.

Ao contrário dos nossos antepassados
— E digo isto com muito respeito —
Nós sustentamos
Que o poeta não é um alquimista
O poeta é um homem como todos os outros
Um pedreiro que constrói o seu muro:
Um construtor de portas e janelas.

[...]

Há além disso uma coisa:
O poeta está aqui
Para que a árvore não cresça torta.

Esta é a nossa mensagem.

[...]

Nós condenamos
— E isto digo-o com respeito —
A poesia do pequeno deus
A poesia da vaca sagrada
A poesia do touro furioso.

À poesia das nuvens
Nós opomos
A poesia da terra firme
— Cabeça fria, coração quente
Somos terrafirmistas decididos —
Contra a poesia de café
A poesia da natureza
Contra a poesia de salão
A poesia da praça pública
A poesia do protesto social.

Os poetas desceram do Olimpo.

Nicanor Parra
Nunca mais senti o cheiro a bicho morto na valeta de um caminho empoeirado. Uma cobra deslizando pelo meio da erva alta e seca. O Verão nunca mais foi o mesmo. Nenhuma montanha no meu horizonte. Nenhuma mangueira para refrescar os corpos das crianças brincando na eira. Os dias passando lentamente. As moscas, ainda vivas, com as asas coladas naquela fita adesiva amarela. O suicídio do Sr. António, que ficou pendurado na oliveira. Foram tirá-lo de lá à tardinha. A lua, nessa noite, era vermelha por causa dos incêndios. Cheirava a queimado e as pessoas lamentavam a falta de água para regar o milho. O tio Joaquim fazia cestos e na oficina cheirava a verniz. As suas mãos estavam gretadas e cuspia-lhes regularmente. As mulheres enchiam os quintais. Serviam os maridos. A aldeia silenciosa com gente simples e empedernida. O sino, ao fim da tarde, no mês de maio. Minha mãe com as mãos na cabeça dizendo que a morte estava à nossa espera. 
Agora, no início do Verão, deito-me na relva no Jardim da Estrela. Entro no elétrico 28 juntamente com os turistas, saio no largo Camões, passo pelo Pessoa. Como um gelado santini de morango e chocolate, misturo-me com a multidão. Vejo aqueles vendedores de rua que atiram objetos ao ar, não sei bem o que é aquilo. Entro em várias livrarias. Caminho junto ao Tejo. Para onde vou?

Uma coisa ruim. Como um dente que dói. Uma coceira que deixa o corpo vermelho. Uma dor de barriga. Uma pancada sem querer na esquina do móvel. Estorcegar o pé nas escadas porque decidiu deixar de usar o elevador. 
Sim. Estou um pouco mais gorda, embora continue ágil e toda a roupa me sirva. Mas não gosto de mim reflectida no espelho. K. ri-se de mim e odeio-o. Talvez também ele seja, na verdade, uma coisa ruim, que me engorda silenciosa e demoradamente. Como uma doença, grudou-se em mim. Apanhou-me o cabelo, beijou-me o pescoço e quase me feriu. Quase. Não sei se o amo. Não sei se o quero sempre. Só por agora. Prendê-lo noite e dia.
Disse à S. que não me importaria nada que a minha filha vivesse comigo até tarde. Isso a propósito de ela estar a dizer que as gerações mais novas ficam cada vez mais tempo na casa dos pais. E o mundo adulto não é uma chatice? Disse-lhe logo. Trabalho, horários, salários maus, colegas chatos, enfim. Só trabalho porque preciso, ficava bem o dia inteiro a ouvir música, a ler, a passear por aí. Não desejo mais filhos. Não me importava nada que a minha filha se aninhasse junto de mim muitos anos, como esta tarde, em que estivemos enroladas no cobertor e a cantar Ba ba ba ba Barbara Ann, ela fartou-se de rir.

Não me queixo da chuva nem da tristeza.
Não posso.
Não quero.
Preciso delas para viver.
Estou aqui, ora em pé, ora sentada.
Quieta e atenta às gotas.
Molham meus cabelos ruivos
que envelhecem.
Estou tão longe do lugar onde cresci.
Não me compadeço de nada,
tenho sido muito dura
como as pedras.
As minhas dores correm noutros corpos.
Hoje choveu dentro de mim,
estou negra da humidade.
A minha alma não sabe onde estou.
Não, não me lamento.



A Assunção sonha ser Primeira-Ministra, eu começo a desejar que ela seja o touro.

A política não me interessa.*



“Eu vejo-me como primeira-ministra”

Eu vejo-me à beira da depressão se esta visão se concretizar. Em Portugal, tudo será possível, mas julgo que estaremos a salvo durante uns 70 anos, por essa altura, já não estarei cá, por isso fico descansada.





Quem diria que a política é a maior universidade do país... És eleito? És doutorado.

https://www.publico.pt/2018/03/10/politica/noticia/desmentido-de-universidade-americana-forca-secretariogeral-do-psd-a-corrigir-biografia-1806133


https://www.publico.pt/2018/03/02/politica/noticia/passos-coelho-vai-dar-aulas-de-economia-e-administracao-publica-1805150
Agora, vives no inesgotável. Cada dia é feito de silêncios e de ruídos, de luzes e de negro, de espessuras, de esperas, de arrepios. O que importa é perderes-te, mais uma vez, para sempre, sempre cada vez mais, vaguear sem fim, encontrar o sono, uma certa paz do corpo: abandono, lassidão, entorpecimento, deriva. Deslizas, deixas-te afundar, ceder: procurar o vazio, evitando-lo, caminhar, parar, sentares-te a uma mesa, encostares-te, estenderes-te.

Um homem que dorme, Georges Perec.
IV

Esquecerei todos os convites de fuga.
Os portos serão para nós apenas
as âncoras e as amarras.
Nossos olhos não mais distinguirão
caravelas e transatlânticos sobre o mar.
Nossos ouvidos não mais perceberão
o barulho das ondas que são um chamamento constante.
Então leremos poetas bucólicos
debaixo de uma árvore que deverá ser frondosa.
Indefinidamente rodaremos em torno dela como um carrossel
indefinidamente estarás comigo.


Do poema Junto a ti esquecerei, João Cabral de Melo Neto, Poesia Completa.
Conheci a Pó dos Livros apenas em 2014. Quando lá fui pela primeira vez, comprei cinco livros de poesia. Há uns tempos, eu, o K. e a Francisca formos lá buscar a Viagem ao fim da noite, do Céline. Foi a última viagem à livraria. Não serei eu abutre para aproveitar promoções de uma livraria ensanguentada. Em Lisboa, as rendas são o maior disparate a que já assisti. Quero ir-me embora para o fim do mundo, onde não há muita gente nem barulho nem trânsito... Estou à espera desse dia.

https://www.publico.pt/2018/02/28/culturaipsilon/noticia/livraria-po-dos-livros-fecha-portas-no-final-de-marco-1804809